Confinada no 'BBB 26', Solange Couto volta aos holofotes e desperta curiosidades que atravessam sua longa trajetória artística.
Uma das histórias mais inusitadas da vida da atriz envolve justamente a personagem mais emblemática de sua carreira: Dona Jura, de 'O Clone' (2002), novela de Gloria Perez que marcou época na Globo.
Na trama, Dona Jura comandava um boteco em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Pelé, Zeca Pagodinho e Ana Maria Braga foram algumas das celebridades que passaram pelo cenário da novela, participando de gravações e prestigiando o sucesso da personagem vivida por Solange.
Mas um episódio inesperado acabou entrando para a história da teledramaturgia brasileira. Em 12 de abril de 2002, o comunicador Osvaldo Sargentelli, velho amigo de Solange, chegou animado aos Estúdios Globo para gravar sua participação especial em 'O Clone'.
Conhecido como 'a voz do trovão', Sargentelli foi um dos grandes nomes da TV brasileira, com passagens marcantes pela TV Tupi e, mais tarde, pela Rede Brasil, onde apresentava o programa de entrevistas A Verdade.
Pouco antes de entrar em cena, no entanto, Sargentelli começou a se sentir mal. Ele ainda conseguiu apertar a mão de Solange Couto antes de sofrer um infarto fulminante. O comunicador foi levado às pressas para o hospital Barra d’Or, mas morreu horas depois, aos 78 anos.
A gravação precisou ser interrompida, e o clima nos bastidores foi de absoluto choque. Mesmo diante da tragédia, Solange Couto encontrou uma forma sensível de enxergar aquele momento.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a atriz declarou: “Sabe como me sinto? Feliz por ter realizado seu último desejo. Ele sempre me dizia que queria morrer no palco, trabalhando, ou num botequim tocando samba numa caixa de fósforo, cercado de mulatas e de amigos”.
A ligação entre os dois vinha de muito antes. Solange e Sargentelli se conheceram quando ela tinha apenas 16 anos. Já famoso, ele percebeu o talento da jovem e a contratou para trabalhar com ele por três anos. A parceria só chegou ao fim quando Solange se casou com Sidney Magal, outro nome importante de sua história pessoal e profissional.
Hoje, dentro da casa mais vigiada do Brasil, Solange Couto carrega não apenas a força de Dona Jura, mas também memórias marcantes de uma vida dedicada ao palco, à televisão e a encontros que, como esse, ficaram eternizados entre a ficção e a realidade.